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#  Novartis Portugal no ISPOR 2019 

A geração de evidência de mundo real por Pedro Laires, Health Economics &amp; Outcomes Research Head



 

 Nov 27, 2019 

> A evidência de mundo-real, em conjunto com os ensaios clínicos, é a matéria prima que permite definir o real benefício da inovação.
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> **Pedro Laires**, Health Economics &amp; Outcomes Research Head

A geração de evidência de mundo real é um fator determinante na investigação após desenvolvimento do medicamento, por permitir aos investigadores obter um retrato real do impacto das doenças e respetiva gestão ao longo do tempo e sem o enviesamento das condições controladas de um ensaio clínico.

A Novartis Portugal marcou presença na conferência do ISPOR 2019 em Copenhaga e levou consigo alguns dos seus melhores trabalhos em dados do mundo real. Pedro Laires, Health Economics &amp; Outcomes Research Head explica que dados são gerados nestas investigações e quais as mais valias e utilização desta informação.



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**Em que consiste a investigação de dados reais em saúde?**

Consiste em gerar evidência que seja útil para a tomada de decisão a diferentes níveis, seja para o acesso e financiamento de um dado medicamento, ou para a própria decisão no dia-a-dia do médico sobre prescrever ou não esse mesmo medicamento.

**E como é obtida esta informação por parte dos investigadores?**

Contrariamente ao que se passa nos ensaios clínicos, este tipo de investigação é eminentemente observacional. Isto é, “limita-se” a observar os resultados em saúde que se obtêm na sequência das escolhas que os médicos e os decisores fazem no que diz respeito ao diagnóstico, seguimento e tratamento dos doentes. Essa observação na prática clínica real pode processar-se de diversas formas. Pode consistir em recolher dados *de novo* num dado *setting* de prestação de cuidados, por exemplo um hospital, ou analisar de uma forma retrospetiva dados que haviam sido previamente recolhidos de forma sistematizada num registo clínico.

Em todo o caso, convém ressalvar que a evidência de mudo-real também contempla outro tipo de estudos, nomeadamente aqueles que visam caracterizar melhor a carga da doença, os seus padrões de tratamento, a caracterização dos doentes e a forma como estes experienciam a sua condição clínica. Como tal, este tipo de investigação pode e deve socorrer-se de diferentes metodologias e fontes de dados. Sobretudo, interessa colocar a questão correta e perceber se este tipo de investigação está a servir o seu propósito primordial, isto é, munir a Sociedade com informação realmente útil para o processo de decisão em saúde.

**Qual é a relevância desta evidência para a Novartis?**

Esta é a informação que melhor permite destrinçar entre o que é uma mera despesa para o erário público ou um investimento que traz o devido retorno à sociedade, nomeadamente em termos de ganhos concretos para a saúde da nossa população. De forma muito simples, a evidência de mundo-real, em conjunto com os ensaios clínicos, é a matéria prima que permite definir qual o real benefício da inovação desenvolvida pela Novartis.

**Em que é que ela é usada?**

Pode ser usada para demonstrar os potenciais benefícios da adoção de um dado medicamento inovador em detrimento de outro pré-existente, pode ser usada para demonstrar que ainda existe uma lacuna terapêutica à qual urge dar resposta. E pode ainda ser usada para construir e manter a proposta de valor que é condição *sine quo non* às decisões de financiamento dos produtos farmacêuticos. Esta questão é particularmente relevante no paradigma atual onde se verifica uma dificuldade no acesso à inovação no nosso país. Por exemplo, demostrar o impacto negativo que, decorrente de um acesso limitado ou até mesmo inexistente a uma dada inovação terapêutica, pode contribuir para uma consciencialização muito concreta sobre as consequências deste paradigma.

Por fim, é importante frisar que demonstrar o valor da nossa inovação, nomeadamente através da utilização de evidência de mundo-real, pode não ser o garante do seu financiamento, acesso e *adoção*. No entanto, certamente que o seu inverso, isto é, uma proposta de valor não sustentada com evidência relevante para o nosso contexto, não será um bom prenúncio.

**Que ganhos podem estes dados acrescentar quando o objetivo é melhorar e prolongar a vida das pessoas?**

Ajudam na transição entre uma “promessa” e a sua “concretização”. A real demonstração de que as soluções que apresentamos traduzem-se nisso mesmo – melhorar e prolongar a vida das pessoas!

**A Novartis Portugal teve uma presença muito forte no ISPOR 2019. Que informação foi apresentada e porque é que é tão importante esta presença na conferência?**

Esta é a conferência que reúne académicos, profissionais de saúde, profissionais da indústria farmacêutica, decisores e Autoridades, onde se discute temáticas preponderantes no sector da saúde, nomeadamente aquelas sobre acesso e financiamento das tecnologias da saúde, desafios atuais e perspetivas futuras. Este ano, por exemplo, a temática foi a transformação digital do sector. Tivemos uma presença forte, com mais de 20 trabalhos apresentados, dos quais uma apresentação oral e 3 posters destacados como finalistas. A presença nesta conferência é crucial porque é o fórum adequado para mostrarmos aos vários *stakeholders* (nacionais e internacionais) os resultados da nossa investigação. Este ano, por exemplo, apresentámos dados concretos sobre a carga de algumas doenças muito impactantes em Portugal, sobre o valor económico e as características da população portuguesa tratada com alguns dos nossos medicamentos. Apresentámos ainda o potencial impacto negativo na sociedade pelo atraso que temos no acesso aos nossos medicamentos inovadores. O destaque destes trabalhos nesta importante conferência não só valida e destaca a investigação de mundo-real que fazemos em Portugal, como reforça a Novartis como líder também nesta área.